Ementa
Requerente(s): Marcos Henrique de Almeida Xavier
Requerido(s): INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL - INSS
I –
Marcos Henrique de Almeida Xavier interpôs Recurso Especial, com fundamento no art.
105, III, “a” e “c”, da Constituição Federal (CF), contra o acórdão da 6ª Câmara Cível deste
Tribunal de Justiça.
O Recorrente alegou, em síntese, violação e dissídio jurisprudencial aos arts. 42, 59, 86 e 21,
I, da Lei 8.213/91, pois sustentou que o acórdão deixou de aplicar corretamente normas
relativas aos benefícios por incapacidade, à redução da capacidade laborativa e ao nexo
causal, afirmando que houve desconsideração do agravamento das patologias e da redução
permanente da capacidade laboral decorrente de acidente, além de interpretação divergente
quanto ao reconhecimento do nexo causal e da necessidade de análise integral das provas,
especialmente diante da possibilidade de concessão de auxílio-acidente mesmo quando
mínima a redução da capacidade.
Pediu a concessão de justiça gratuita.
(TJPR - 1ª Vice-Presidência - 0023910-13.2025.8.16.0017 - Maringá - Rel.: DESEMBARGADOR HAYTON LEE SWAIN FILHO - J. 05.03.2026)
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Íntegra
do Acórdão
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Decisão monocrática
Atenção: O texto abaixo representa a transcrição de Decisão monocrática. Eventuais imagens serão suprimidas.
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO PARANÁ 1ª VICE-PRESIDÊNCIA Autos nº. 0023910-13.2025.8.16.0017 Recurso: 0023910-13.2025.8.16.0017 Pet Classe Processual: Petição Cível Assunto Principal: Auxílio-Doença Acidentário Requerente(s): Marcos Henrique de Almeida Xavier Requerido(s): INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL - INSS I – Marcos Henrique de Almeida Xavier interpôs Recurso Especial, com fundamento no art. 105, III, “a” e “c”, da Constituição Federal (CF), contra o acórdão da 6ª Câmara Cível deste Tribunal de Justiça. O Recorrente alegou, em síntese, violação e dissídio jurisprudencial aos arts. 42, 59, 86 e 21, I, da Lei 8.213/91, pois sustentou que o acórdão deixou de aplicar corretamente normas relativas aos benefícios por incapacidade, à redução da capacidade laborativa e ao nexo causal, afirmando que houve desconsideração do agravamento das patologias e da redução permanente da capacidade laboral decorrente de acidente, além de interpretação divergente quanto ao reconhecimento do nexo causal e da necessidade de análise integral das provas, especialmente diante da possibilidade de concessão de auxílio-acidente mesmo quando mínima a redução da capacidade. Pediu a concessão de justiça gratuita. II – Primeiramente, quanto à justiça gratuita, o benefício deferido subsiste em todas as instâncias e alcança todos os atos processuais, salvo se houver revogação expressa, conforme a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ): AGRAVO INTERNO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DECLARATÓRIA DE NULIDADE DE NEGÓCIO JURÍDICO. VENDA DE IMÓVEL DE ASCENDENTE A DESCENDENTE. 1. CONCESSÃO DE GRATUIDADE DE JUSTIÇA QUE SE ESTENDE A TODOS OS ATOS DO PROCESSO, ENQUANTO NÃO REVOGADA EXPRESSAMENTE. 2. PRAZO DECADENCIAL. PRECEDENTE . 3. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO. 1. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça dispõe no sentido de que, uma vez concedida a gratuidade da justiça, tal benesse conserva-se em todas as instâncias e para todos os atos do processo, salvo se expressamente revogada. (...) (STJ - AgInt nos EDcl no RECURSO ESPECIAL Nº 1988913 - MG (2022 /0060668-2), relator MINISTRO MARCO AURÉLIO BELLIZZE, Terceira Turma, julgado em 08/08/2022, g. n.). Sobre a concessão de auxílio-acidente, o Órgão Colegiado concluiu, no acórdão da Apelação, que não restou demonstrado o nexo de causalidade entre as lesões e o acidente de trabalho, nos termos seguintes: I – No que aqui interessa, lembro que, de acordo com o caput do art. 86 da Lei n.º 8.213 /91, com redação alterada pela Lei n.º 9.528/97, “o auxílio-acidente será concedido, como indenização, ao segurado quando, após consolidação das lesões decorrentes de acidente de qualquer natureza, resultarem sequelas que impliquem redução da capacidade para o trabalho que habitualmente exercia”, donde se pode afirmar que o benefício em questão deverá ser concedido, se presentes 02 (dois) requisitos, a saber: (i) o nexo causal entre a lesão permanente e o acidente de trabalho sofrido e (ii) a incapacidade ou a redução da capacidade, desde que definitiva, para o trabalho que o segurado exercia habitualmente à época do acidente. II – Conforme se depreende dos autos, o autor propôs a presente demanda (ref. evento 1.1) com o intuito de obter em seu favor a concessão de auxílio-acidente a partir da cessação do auxíliodoença anterior (ocorrida em 17/12/2022 – ref. evento 49.3), sob o argumento de que fora vítima de acidente de trajeto, do qual resultou “sequelas que causaram a redução de capacidade laboral, visto que o requerente não consegue utilizar sua perna direita de forma integral, sente dores constantes e ficou com redução de força na perna”. A sentença julgou improcedente o pedido em virtude da ausência de incapacidade, a qual, como se verá a seguir, há de ser mantida, mas por fundamento diverso. Isso se deve, sobretudo, à absoluta ausência de comprovação do acidente de trajeto narrado na inicial, uma vez que o autor não trouxe aos autos qualquer prova de sua ocorrência, seja por meio de CAT, documentos médicos ou testemunhas. Pelo contrário, pois, instado a se manifestar sobre a possibilidade de manutenção da sentença por fundamento diverso (art. 10 do CPC), o próprio autor admitiu que “não se trata de acidente de trajeto (in itinere), mas sim de acidente ocorrido fora do contexto laboral”, requerendo, inclusive, a remessa dos autos à Justiça Federal (ref. evento 18.1 – TJPR). Desse modo, a outra conclusão não se pode chegar senão à de que o autor não faz jus ao benefício pretendido ou qualquer outro de natureza acidentária. (Apelação Cível, mov. 26.1, g. n.). A análise do nexo causal exigiria reexame de provas, o que é vedado pela Súmula do Superior Tribunal de Justiça (STJ): “A pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial.”. Nesse sentido: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AUXÍLIO-ACIDENTE E/OU APOSENTADORIA POR INVALIDEZ. DOENÇA DO TRABALHO. DECISÃO DA PRESIDÊNCIA DO STJ. RECONSIDERAÇÃO. RECURSO ESPECIAL COM FUNDAMENTO NA ALÍNEA A. AUSÊNCIA DE ARGUMENTAÇÃO. FUNDAMENTAÇÃO DEFICIENTE. SÚMULA 284 DO STF. DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL. NÃO COMPROVAÇÃO. AUSÊNCIA DE COTEJO ANALÍTICO. NÃO COMPROVAÇÃO DA SIMILITUDE FÁTICA E JURÍDICA DOS ACÓRDÃOS CONFRONTADOS. REVOLVIMENTO DE MATÉRIA FÁTICO-PROBATÓRIO DOS AUTOS. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 7 DO STJ. (...) 3. O recurso especial não comporta o exame de questões que impliquem revolvimento do contexto fático-probatório dos autos, a teor do que dispõe a Súmula 7 do STJ. No caso, a Corte de origem com base na situação fática e nas provas dos autos, concluiu pela inexistência de incapacidade seja parcial ou total, temporária ou definitiva para o trabalho, bem como de que inexiste nexo causal entre as alegadas enfermidades e o ambiente laboral que as classifique como doença laboral ou acidente de trabalho. Alterar esse entendimento demanda reexame do conjunto fático-probatório dos autos, vedado em recurso especial. (...) (AgInt no AREsp n. 1.595.312/SP, relator Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 18/5/2020, DJe de 20/5/2020., g. n.) Por fim, quanto ao dissídio jurisprudencial suscitado, destaque-se que “(...) A incidência da Súmula n. 7/STJ impede o conhecimento do recurso lastreado, também, pela alínea c do permissivo constitucional, dado que falta identidade entre os paradigmas apresentados e os fundamentos do acórdão recorrido, tendo em vista a situação fática de cada caso. (...)” (AgInt no AREsp n. 2.732.008/RS, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, julgado em 11/11/2024, DJe de 13/11/2024.). III – Diante do exposto, inadmito o Recurso Especial, com fundamento na Súmula 7 do STJ. Intimem-se. Curitiba, data da assinatura digital. Desembargador HAYTON LEE SWAIN FILHO 1º Vice-Presidente do Tribunal de Justiça do Estado do Paraná AR69
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